Patrícia Giseli & seus poemas


 Patrícia Giseli

 

Patrícia Giseli: A luta feminista na poesia e na arte, homenageada pelo Psiu

A poeta performer Patrícia Giseli é natural de Montes Claros/MG, nasceu no verão de 1978, filha temporã numa família de retirantes nordestinos. Tornou-se mestre em História Social, com estudos concentrados nas áreas de Gênero e Feminismos. Tem a alma tropical e ostenta ares de primeira musa. Equilibra-se sob o signo de terra; ascendente e lua em fogo, falta-lhe o ar e ela é toda sede. Sua existência é excessiva e inflamada. Participa de ações contra homofobia e realiza projetos que minimizam o sofrimento de crianças e adolescentes em vulnerabilidade social, através da arte.

 

É aluna, desde 2012, das oficinas do Teatro Universitário/Unimontes. Ocupa-se também com os animais não humanos e abandonados, promovendo de forma independente o cuidado e a adoção. Seu estado civil é literário. Constrói lento seu universo poético e recorre às intervenções poéticas para expressar a palavra não dita e a dita mil vezes. Da infância à juventude, escreveu poemas fora do papel, depois passou a expor seus escritos no Salão Psiu Poético, por quase doze anos, sob uma identidade fictícia.

 

 

Patrícia Giseli

 

Após se considerar poeta, publica seus versos, de modo avulso, em coletâneas com outros autores, como o livreto “Amar é abanar o rabo”, Antologia poética Psiu Poético (2010), no “Livro Diário do Escritor”, Litters Editora. (2011, 2012 e 2015), na agenda “Livro da Tribo” (2012 e 2013). Lançou, no final do ano de 2012, a plaquette poética “Há uma flor em meu sapato”. Foi premiada no Concurso de Contos, Crônicas e Poesias da Unimontes, no ano de 2012, e venceu o concurso literário do 31º FESTIVALE em 2014. Neste ano de 2015, comemora a aurora dos seus 24 anos de passagens pelo Psiu Poético, como poeta homenageada.

 

Também estão sendo homenageados pelo 29 Salão Nacional de Poesia nesse ano de 2015, além da Patrícia Giseli, Ana Elisa Ribeiro, Auíri Tiago, Celso Borges, Eduardo Lacerda,Ricardo Silvestrin.

 

Texto pela homenageada. 

 

palavras da salvação

 

nossa senhora da poesia

que cada verso seja

um pedaço de pão

um corte para camisa

e o troco de orgia

***

 

Na poesia sou correspondente de guerra

 

Meu poema é sem pai

Não tem costas largas nem cintura fina

é boia-fria fruto maduro

filho de mulher da vida

boa de jogo com sorte no amor

meu poema não recebe pensão

derruba barraco, cria gatos e faz magia

viver é ter dois versos na manga

um que atira e o outro que vigia

 

***

quando eu nasci um anjo de sorriso torto

me mandou um papo reto

vai pra vida ser fruto de casca grossa

pra não virar caça de qualquer um

desde que caí no mundo me perco

cato retalho salgo coloco no sol

junto unto revivo rejunto passo dias na chuva

de molho distorço gozo a gosto

nas noites de lua sirvo quente

: meus lagartos e minhas serpentes

 

***

amor

o amor abriu as cortinas do desespero

ameaçou se jogar pela janela

sem  lembrar dos pulsos cortou a própria memória

com o corpo inteiro e  a alma de incompletude

repartiu a chaga em dois pedaços iguais e foi

pelos fundos  sem levar a chave

seguiu cabisbaixo pela rua deserta

o amor foi embora

deixou os poros abertos

e a pia dos olhos pingando

 

****

em todas as exposições

o coração do poeta

é o mais exposto da galeria

***

 

Mal deu meio dia

comecei a ficar de tardezinha

envelheci fiquei (de)compassada

funda e temperamental

toda noite o tempo vem

na madrugada passa

um vinco

na minha cara lavada