Ana Elisa Ribeiro & seus poemas


Ana Elisa Ribeiro:
uma das seis personalidades homenageadas pelo 29º Psiu Poético


Ana Elisa
Ferreira Ribeiro é uma das seis personalidades que serão homenageadas no 29º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético – “Rumo aos 30”. Natural de Belo Horizonte (MG), é autora de crônicas, contos e poemas. A homenageada também é colunista da revista eletrônica Digestivo Cultural, há mais de uma década. Ana Elisa é autora do livro Anzol de pescar infernos (SP, Patuá, 2013), semifinalista do Prêmio Portugal Teleom. Ao discorrer sobre o livro a poeta Paula Cajaty do rascunho – o jornal da literatura do Brasil (Gazeta do Povo), diz:

 

Ana Elisa fala de vida, mas não só. Fala também de amor e de suas ince”rtezas. Afinal, não há eternidade na pescaria: apenas a fugacidade de boas conquistas e outros fracassos.” – Paula Cajaty, autora do livro Afrodite in Verso.*

Ana Elisa também é autora do livro Meus segredos com Capitu (Natal, Jovens Escribas, 2013), também finalista do Prêmio Portugal Telecom. Lançou recentemente (já em 2015) o livro Xadrez, pela editora Scriptum. O lançamento aconteceu em Beagá e conta com o conjunto mais recente de poemas da autora. É doutora em Linguística Aplicada e mestre em Estudos Linguísticos UFMG, onde também se bacharelou e licenciou em Letras/Português. É pós-doutora em Comunicação pela PUC-Minas. É professora e pesquisadora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)

 

Esperamos com muito entusiasmo a participação da poeta no 29º Psiu Poético. Esperamos também que a escritora sinta-se muito bem acolhida pela poesia, pela cultura e pelo TRIPSIU.

 

Também estão sendo homenageados pelo 29 Salão Nacional de Poesia nesse ano de 2015, além da Ana Elisa Ribeiro, Auíri Tiago, Celso Borges, Eduardo Lacerda,Ricardo Silvestrin & Patrícia Giseli.

 

Eu não tenho a alma de um corrimão.

Eu sou mais do elo, da liga e do laço.

Respeito para mim é coisa fina,

assim como o abraço.

 

Mais do que as transas e os beijos,

as mãos dadas me parecem mais sinceras.

 

Tão ruins quanto as promessas

são as esperas.

 

***

Se eu chego antes,

te pego com respeitos demais;

Se eu chego atrasada,

te pego casado e pai;

Então eu chego agora,

pra ver se é boa hora.

 

**********

Ciuminho basico

 

escuta

calado

a proposta rude

deste meu

ciúme:

vou cercar tua boca

com arame farpado

pôr cerca elétrica

ao redor dos braços

na envergadura

pra bloquear o abraço

vou serrar teus sorrisos

deixar apenas os sisos

esculhambar com teus olhos

furá-los com farpas

queimar os cabelos

no pau acendo uma tocha

que se apague apenas

ao sinal da minha xota

finco no cu uma placa

“não há vagas, vagabundas”

na bunda ponho uma cerca

proíbo os arrepios

exceto os de medo

e marco no lombo, a brasa,

a impressão única do meu dedo.

*****

desorientação

 

levo cinco luas minguantes

pra remendar

um afeto partido

 

outras cinco luas crescentes

pra curar

amor vivido

 

e estes amores

que não dão certo

levo séculos,

a céu aberto,

tentando ver

onde mesmo

estava a lua

 

 

*****

A musa do festival

(com a licença de Henriqueta Lisboa)

 

vai sempre haver

a nova poeta

da vez

a musa do festival

a bela bunda da festa

a mais inteligente

e surpreendente

 

- porque

se for inteligente

será surpreendente,

para toda essa banca

de editores, autores, doutores -

 

vai sempre haver

palavra

para amortecer

nosso lote

do inalcançável

 

*****

salvando o relacionamento

eu sei, meu bem,
que seu sonho era comer
uma sueca alta loura boa

finge, meu amor
fecha o olho e finge
o meu cabelo
a gente tinge.

 

 

Eterna pescaria : Em “Anzol de pescar infernos”, Ana Elisa fala de vida, de amor e de suas incertezas - http://rascunho.gazetadopovo.com.br/eterna-pescaria/