Ronald Augusto & seus poemas


Foto: Gunter Max

Foto: Gunter Max

Ronald Augusto, também conhecido com Ronald Tutuca

 

Ronald Augusto da Costa nasceu no Rio Grande-RS em 1961. É poeta, músico, letrista, ensaísta e ativista cultural. É um artista ativo, ministrando oficinas e palestas sobre “Os dilemas da poesia contemporânea”.

 

Também conhecido pelo pseudônimo de Ronald Tutuca, tem publicações e trabalhos culturais de diferentes espécies: além da produção como poeta e músico, possui artigos publicados sobre a obra de Cruz e Souza, sobre a poesia concreta e sobre a poesia negra brasileira. Seus poemas foram incluídos em várias antologias nacionais e internacionais, assim como em diversas revistas literárias.

Ronald Tutuca

É autor das obras Negro 3 x negroKânhamoVá de valhaCair de Costas e compõe as antologias Poesilha, de Jefferson Lima e A razão da chama: antologia de poetas negros brasileiros sob organização de Oswaldo de Camargo.

 

outra fera alegórica

a vaca cor de barro

eu vinha de longe em longe

quando ela me viu

achei no seu olho de boi

um ameaço

 

havia uma bifurcação

por onde enfiar a esperança

e o temor

ao pé de mim a cada passo

suas bostas

 

antes deste empate

eu ouvia os sapos

cada coaxar era um buraco

esponjoso de onde um som

de água opaca

***

 

cruz & souza

 um cômputo de fumaça

entre ele e o mundo

***

 

estanco um

vazio com outro

 

mais psiu a cisma que cisma

 

no tanque (fontaine)

um mijo golpeia – ainda

 

sarro sileno

***

 

Joana Inês não teve um São João

 

uma árvore (quer remo

? vamos para ventarola

) nos adornava de ar

 

no bosque da noite escura (noite

em claro desbastando moscas dos cascos)

na boca dos namorados palavras

 

não passam em branco

despidas vão (dentes do

espírito) cavando clareiras

***

A indiscutível qualidade

cera de operárias em orelhas de remeiros
os mesmos mesmo topando com o cu do mundo

porque o mandachuva deles fechará sua
rosácea de rotas
transtornadas feito chama enunciante

nenhum dos seus comerá de outro pão
hera operária nos buracos dos eunucos

***

 

Odisseu para os seus remeiros

o obsceno não fica a caminho de nada
não vale como acidente

quem o quer vasculhar palmo a pau
cu à cona
não deve fazê-lo sem os colhões terceiros

***