Leo Gonçalves é poeta homenageado no 31º Psiu Poético


 

Leo Gonçalves nasceu em 1975 em Belo Horizonte. É o autor dos livros ”Use o assento para flutuar“ (Patuá, 2012), “WTC BABEL S. A.“ (Barbárie, 2008) e ”das infimidades” (poemas, 2004). Em 2016 teve uma pequena antologia de seus poemas publicada na Cidade do México, com o título “Use el asiento para flotar”.

Poeta e tradutor Leo Gonçalves

Poeta e tradutor Leo Gonçalves

Na performance “Em caso de incêndio queime lentamente”, vocaliza poemas de Use o assento para flutuar, além de experimentar conexões com outras linguagens. Em 2012, esteve em cartaz com “Poemacumba”, espetáculo de poesia e dança, ao lado de Kanzelumuka.

Tradutor, é também  colaborador, há alguns anos, da Revista Etcetera (www.revistaetcetera.com.br). Foi um dos idealizadores, e editores, ao lado de Letícia Féres, Anderson Almeida e Janine Rocha Resende, do jornal Estilingue : literatura e arredores (www.estilingue.tk).

Participou, entre 2004 e 2006 do grupo POESIAhoje, espécie de núcleo de criação e pesquisa de poéticas, performances e intervenções poéticas.

Leo Gonçaves, poeta homenageado no 31º Psiu Poético

Leo Gonçaves, poeta homenageado no 31º Psiu Poético

Desde 2004, Leo Gonçalves publica seus textos, notícias, poemas e traduções de no blogue salamalandro, (www.salamalandro.redezero.org).

Neste ano de 2017, é homenageado pelo 31º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, ao lado de Sandra Fonseca, Tanussi Cardoso, Noélia Ribeiro, Alexandre Brito e Marlene Bandeira. O Salão acontecerá entre os dias 4 e 12 de outubro.

 

AEROPLANOS

planos para o próximo ano
aeroplanos
se a cabine despressurizar
carabinas como estas apontarão para a
sua cara
não há saídas de emergência
fasten seat belt
use o assento para flutuar
para o próximo ano
aeroplanos

***

LÍNGUA DE ARUANDA

minha avó que era filha da filha
minha avó que era avó da avó
tatibitateava quando menina
uma cantiga perdida
no fundo do cafundó
cantiga que eu mesmo
ainda canto de cor
sem saber o que significa
sem certeza se canto certo
sei é que quando canto
meu corpo vibra
meu sangue estua
e não há mau olhado que sobreviva
a essa cantiga antiga
que meus ancestrais gravaram no eco
da voz dos meus avós

***

OUTRA POÉTICA

desinventar a língua

em cada fala

o axé consiste

no que a boca cala

mastigar com vontade

as vogais e as consoantes

o verbo cobre o corpo

como a folha a planta

a raiz das palavras

você me dizia

é a garganta

de quem as pronuncia

      p/ benjamin abras

***

ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA

fazer poemas como edifícios

por onde ninguém suba

o leitor pare à porta e cisme

andar por todos os andares

cómodos apartamentos brancos

paredes comodamente brancas

de todos os cómodos brancos

de todos os andares

e incómodo

súbito suba a si assíduo

a tudo ou quase tudo na brancura

apartado no apartamento

imóvel se anuncia

delira se especula oscila

eis que logo

livro das mudanças

a vaga vira viagem

o plano vira piloto

branco de improviso

o poema se aperta

vira vaga de vento voo

se desmancha noir

poema que de difícil

surge ofídio, físsil

na muda: poema-edifício

e apagada na mesma brancura

a palavra ascensor

é engolida pelo autor

cifrões alados são jogados

em doce desperdício

ouve-se um cântico de cura

e um grito de loucura

é lançado pelo maldito

que insiste em falar de amor

      ccp/ juliana corradini]

 

Um par de coisas por dizer

que não existe a saúde do mundo
que continuaremos cantando apesar de
que não há beleza suficiente
que este exílio é daquele lugar
que o eixo leva gente de ferro
ainda que seja ferro anêmico
como a vida a vida enferma
que não nos custa querer uma vida mais limpa
embora em brasília não tenha esquinas onde
tomar uma xícara de café
que los aires no estarán más buenos
sem o cheiro da fumaça
que a memória não será talvez
nem tango nem rosa engalanada
ou labirinto necessário
mas uma carícia da verdade
ainda que seja verdade que seja mentira
haveria um par de coisas sim
um par de coisas por dizer
que continuaremos dizendo

***

Outra poética

desinventar a língua
em cada fala
o axé consiste
no que a boca cala

mastigar com vontade
as vogais e as consoantes
o verbo cobre o corpo
como a folha a planta

a raiz das palavras
você me dizia
é a garganta
de quem as pronuncia

***

# Equipe Psiu

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