Sandra Fonseca é homenageada no 31º Psiu Poético


Escritora e poeta Sandra Fonseca

Escritora e poeta Sandra Fonseca

Sandra Maria Batista Fonseca, 1961, nasceu em Montes Claros, Minas Gerais. Poeta, Psicóloga, formou-se bacharel em Psicologia pela Universidade FUMEC, Belo Horizonte, Minas Gerais. Acadêmica de Letras – Bacharelado, pela Faculdade de Letras da UFMG.

Escritora com várias participações em antologias poéticas no Brasil e Portugal. Participou da Antologia de poetas premiados no concurso de poesia da Universidade Federal de São João Del Rei – Edições 2008 e 2015, na primeira edição do Concurso Literário do Diretório Acadêmico da Faculdade de Letras – UFMG, 2013.

Participou de duas edições da Antologia Digital “Saciedade dos poetas vivos”, do sitio Blocos On Line – Volumes 7 e 9, e da Antologia de Outro do Museu Nacional da Poesia, vol. III, lançado em maio de 2017. Em 2014 lançou o livro de poemas “Dez Violinos Marinhos e Uma Guitarra de Sal”. No ano passado, participou do 30º Psiu Poético e integrou a Antologia “Trinta Anos-Luz: Poetas celebram 30 anos de Psiu Poético“.

Sandra Fonseca é poeta homenageada no 31º Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, ao lado de Tanussi Cardoso e Leo Gonçalves.

Sandra participou da Antologia Trinta Anos-Luz, na consagração de três décadas do Psiu Poético

Sandra participou da Antologia Trinta Anos-Luz, na consagração de três décadas do Psiu Poético

 

O Psiu Poético acontece de 4 a 12 de outubro. Sandra Fonseca é homenageada ao lado dos poetas Alexandre Brito, Noélia Ribeiro, Leo Gonçalves, Marlene Bandeira e Tanussi Cardoso.

 

***

MULHER DE FASES

Respiro nas interfaces,
Mulher lunar que sou
E de vestir de Vênus assim,
Não me acrescento majestade.
Mais alto
Levanto os ombros,
Empino o meu nariz
E deslizo num chão rude,
A minha saia estampada
De girassóis imaginários.
Entre as ruínas
Construo afetos,
Com tênues raios de sol
Bordo um tecido eterno,
E me perfumo.
Envolvo-me de brisas
Oceânicas,
Faço reverência
A um ser sagrado,
Totem imaginário
De um Deus antepassado.
Tenho intuições
Que vêm em ondas,
Alterno calmarias
E tantos desatinos,
Eu fico tonta.
Sei que toquei o ventre da lua
Em espasmos
De parir um astro,
Desde então fico estranha,
Tenho saudades.
E não durmo.
Sobrevôo as cidades,
Arrasto um manto
Noturno,
De estrelas,
E sem descanso,
Eu sonho…

***

AMANHÃ É PRIMAVERA

Os mensageiros
Do inverno,
Olhos de píncaros,
Pura neve,
Fizeram adormecer
A terra.

Plantei a emoção
Na semente
Da palavra,
E te guardei junto
No fundo
Da alma fecundada.

Enquanto há
O encontro
De sol e lua,
Meus sonhos não dormem,
Andam soltos,
Correm loucos
Sobre montanhas
E planuras.

De mãos à espera
Acendi os círios
Nos olhos das manhãs,
E beijei a flor
Na boca aberta da quimera.

E de dedos frágeis,
No desejo,
Rasguei o ventre
Da terra.
Amanhã, eu sei,
É primavera.

***

UM ANJO, UM PROMETEU, UM PIRILAMPO

Minha alma anda trôpega
Como quem conta as horas
Nos patas dos cavalos
Que correm com a lua
A viúva dos dias,
A louca do vestido branco
Aquela que borda de estrelas
A sua cauda de espantos.

Minha alma anda sôfrega,
Como quem organiza
A noite dos prantos,
A fila das carpideiras
E seus xales de breu
E seus tules de pranto.

Minha alma anda tonta,
Pisando no avesso do céu,
Despindo pássaros noturnos,
Cobrindo o dorso dos fantasmas,
Roubando a luz aos anjos,
Fogo de um Prometeu,
Néon de pirilampos.

Minha alma anda surda
Buscando as conchas,
Aquelas que jorram pérolas,
D suas feridas.
Os sons de algum fauno,
Um alaúde,
Trompa sagrada de sereia,
A vaga poderosa e feroz,
Onda milenar.

Minha alma anda nua,
Na ânsia de encontrar
Nalgum recôndito,
Além e a mais
Dessa minha dor,
Angústia de ser mortal,
O milagre dolorido
De um poema.

***

O TEMPO

Cavalo sem freio,
Vertigem de vento,
A fome, a voragem,
O tempo.

O fogo na palha,
O risco na pele
Ferida à limalha de ferro,
O tempo.

O eco passado
A dor sem bandagem,
A letra, o poema,
O tempo.

O ácido da palavra
Corroendo lento,
A ferrugem, o pensamento,
O tempo.

O poço fundo,
O escuro, o medo
Desenhando no espelho
O tempo.

O galope dos sonhos,
Visões na noite,
Os gestos passageiros,
O tempo.

A vaga inominável
A boca das horas devoradas
O momento,
O tempo.

A estrada afunilada,
A fresta, o vão desejo
Cortando a carne,
O tempo.

As aves, a revoada,
O instante das asas,
O plano sobre o infinito,
O tempo.

O rio, a estrada
Calcorreada no pó,
Sangrando a rota,
O tempo.

A sangria desatada,
A correria dos anseios,
A areia no sorvedouro,
O tempo.

***

SETEMBRO

Sei do meu tempo
esse rosto breve e moço
as lavras arrastando sonhos
e os subterrâneos
da semente
preparando setembros.

Penso o verde rio
alisando o corpo
da mãe das águas
e os mares tingindo
em azuis os barcos
e as sereias.

A areia branca
de rendas e teias
enfeitada de conchas
e a chuva das pétalas
contornando o dia.

Penso setembro,
manhã de nostalgia,
setembro foi ontem,
setembro é uma esperança
pintada de branco.

Setembro não vem

***

# Equipe Psiu

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